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27 de março de 2018

Me chame pelo seu nome

Me chame pelo seu nome

Em Me chame pelo seu nome, André Aciman conta uma história cercada de realismo, identidade e paixão. A autenticidade do sentimento dos personagens me prendeu logo nas primeiras páginas e contribuiu para que o leitura do livro se tornasse uma experiência incrível.

Elio tem dezessete anos e é filho de um renomado professor universitário, que a cada verão seleciona um intelectual aspirante a escritor para hospedar-se em sua casa. Durante seis semanas, o escolhido vai usufruir de todas as maravilhas de um verão na costa italiana enquanto obtém auxílio para compor sua obra — e é assim que Elio conhece o americano Oliver.

"Você vê a pessoa, mas não a enxerga de verdade, ela simplesmente está por ali. Ou até enxerga, mas nada bate, nada “chama a atenção” e, antes mesmo que você perceba uma presença ou algo incômodo, as seis semanas que lhe foram oferecidas já passaram e a pessoa já foi embora ou está prestes a ir, e você fica lutando para aceitar algo que, sem que você soubesse, vinha ganhando forma bem debaixo do seu nariz, trazendo consigo todos os sintomas daquilo que só pode ser chamado de desejo. Como eu não percebi?"

Me chame pelo seu nome

O romance dos dois está claro desde o início, mas leva um tempo — mais ou menos metade do livro — para se desenvolver. Essa foi a única coisa que me incomodou um pouco, mas os próprios personagens esclarecem essa questão em uma passagem do livro: foi o ritmo deles. O tempo que precisaram. E essa demora apenas serviu para intensificar ainda mais os momentos vividos.

"— Você tem uns pensamentos às vezes... você vai ficar bem.
— Talvez. Mas talvez não. Desperdiçamos tantos dias... tantas semanas.
— Desperdiçamos? Não sei. Talvez só precisássemos de tempo para descobrir se era isso mesmo que queríamos."

Me chame pelo seu nome tem uma característica que me chamou a atenção: a veracidade. Eu sou apaixonada por histórias que parecem reais, que passam o sentimento de realidade, aquela empolgação de pensar "isso poderia ser comigo ou com alguém que conheço". Não pelo cenário, não pela construção do enredo no que diz respeito à ambiente familiar — mas sim pela incrível relação humana entre Elio e Oliver. O livro se passa na costa italiana, mas quando os dois estão juntos é apenas isso: os dois. De nada importam os detalhes.

A narrativa do Elio é inquieta. É inquieta mas também é eficaz — não peca em passar para os leitores os sentimentos de angústia e de dúvidas que permeiam aquele relacionamento. Ele assume para si o que sente, sabe o que deve fazer com aquilo e aí lhe falta a coragem, depois ele a ganha, apenas para perdê-la novamente. Conflitos. É um ciclo de perguntas de mais e respostas de menos, de descobertas, de sentimentos a flor da pele e de muito, muito desejo.

"A forte batida do meu coração quando ele aparecia sem aviso me aterrorizava e me fazia vibrar ao mesmo tempo. Eu tinha medo quando ele aparecia, medo quando não aparecia, medo quando ele olhava para mim, ainda mais medo quando não olhava."

Observar suas oscilações de humor em decorrência de sua situação é um prato cheio para quem ama analisar comportamentos. Ele assume para si mesmo o que sente desde o início, sim — mas isso não o impede de tentar constantemente se enganar. Não o impede de renegar o próprio desejo, de agir em desacordo e fingir que está tudo bem. No fim das contas, ele sempre descobrirá que não está, e isso impulsiona a história.

Me chame pelo seu nome

Já Oliver é um personagem desconcertante, do tipo que nunca sabemos exatamente o que está pensando — nossa visão de sua personalidade está encoberta pelo olhar do Elio, então vamos lhe conhecendo à medida que nosso narrador o faz.

Me chame pelo seu nome é atemporal. Se passa nos anos 80, mas poderia estar acontecendo agora mesmo, em qualquer lugar do mundo. Tem um quê de paixão, de aventura, de uma história que não foi vivida — mesmo que tenha, de certa forma, sido vivida. Eu fiquei angustiada pelas sombras de um "e se" que permeiam toda a narrativa, pelo desencontro, pela não coragem deles em se rebelar e viver o que tinham que viver, pela total compreensão dessa não coragem em viver o que tinham que viver. Não só Elio e Oliver sofrem com os inúmeros sentimentos conflitantes em sua história — nós também.



"O fogo dilacerou minhas vísceras (...) Não era o fogo da paixão nem um fogo devastador, mas algo paralisante, como o fogo de bombas de fragmentação que sugam o oxigênio ao redor e deixam você ofegante como se tivesse levado um chute na boca do estômago e o vácuo tivesse rasgado todo o tecido pulmonar e deixado a boca seca, então você espera que ninguém fale, porque você mesmo não pode falar, e reza para que ninguém peça que você se mova, porque seu coração está entupido e bate tão rápido que cuspiria estilhaços de vidro antes de permitir que qualquer outra coisa fluísse por suas cavidades estreitadas. O fogo do medo, do pânico, mais um minuto e eu vou morrer se ele não bater à minha porta, mas ainda assim prefiro que nunca bata."


As citações ao longo dessa resenha, acredito eu, passam um pouco da sensação que é ler o livro. Destaquei muitas mais, porque simplesmente não pude me controlar. O livro não é fácil, angustia, mas vale a pena. A intensidade vale a pena. Leiam Me chame pelo seu nome.

Me chame pelo seu nome




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*Este livro foi lido no mês de março para o Clube do Livro Infinistante! Para saber mais e participar, é só vir aqui. ♡


leia mais:
+ eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios
+ o amor segundo buenos aires
+ quando finalmente voltará a ser como nunca foi


Escrito por: Jennifer Macieira
Arquivado em


 
4 de dezembro de 2017

O amor segundo Buenos Aires

O amor segundo Buenos Aires |  Fernando Scheller

Uma leitura sincera, bonita e sutilmente crítica fez a minha felicidade nos últimos dias. Nunca mais tinha falado de livros por aqui, mas a vontade de recomendar o amor segundo buenos aires me trouxe até esse post. Parece que andei pelas ruas de san telmo, vivi os dilemas dos personagens e me apaixonei por eles, tudo de uma só vez. Eles têm personalidades reais e a escrita do autor brasileiro traz uma verdade crua que me agradou bastante. Um dos aspectos que mais me encantou foi a forma com que os personagens conseguem ser fiéis a eles mesmos e ao que acreditam, apesar de suas reservas e inseguranças, algo raro nos dias de hoje, se você parar para analisar, mas que não deveria ser.

O livro aborda questões relativas ao amor, como o título bem sugere, mas vai além do esperado. É fiel a esse sentimento complexo, que pode envolver tantos aspectos das nossas vidas, e abandona a tendência de escrever apenas sobre o amor que se sente por um companheiro ou paixão casual. O autor enxerga o poder do amor que se pode sentir por um amigo, por algum familiar, por alguém completamente aleatório que acabamos de conhecer, por si próprio ou, até mesmo, por um lugar, porque esse sentimento não é escravo do tempo, do sangue, nem de qualquer outra coisa.

O amor segundo Buenos Aires |  Fernando Scheller

Para retratar isso, ele brinca com as perspectivas de todos os envolvidos na história, inclusive da cidade, de modo que a cada capítulo conhecemos alguém mais a fundo, sob o olhar de outra pessoa. Parece algo tão despretensioso, simples até, mas essa percepção faz toda diferença no livro, porque a forma com que uma pessoa percebe outra na vida dela é única, nunca vai ser igual a de mais ninguém, seja pelo nível de convivência, de entendimento ou de identificação entre elas.

Em alguns momentos, era emocionante, bonito mesmo, conhecer versões diferenciadas dos personagens que já conhecíamos superficialmente, porque, vocês sabem, às vezes, nossas melhores versões podem não ser nossas, podem estar nos olhos do melhor amigo, do irmão, dos pais ou do companheiro, de alguém que nos enxerga de uma forma que não conseguimos sozinhos.

O amor segundo Buenos Aires |  Fernando Scheller

O autor nos faz viajar dentro desse conceito e através dessa construção, capítulo a capítulo, refletimos sobre todas as formas de amor, de modo que não temos figurantes ou papéis secundários. Mas se eu precisasse eleger alguma protagonista para essa história, eu diria que esta seria a cidade. Buenos Aires. Ela faz parte da formação ou do rompimento de cada relação exposta no livro, como se influenciasse de alguma forma para o crescimento pessoal de cada personagem, e isso foi algo muito legal de acompanhar. Nós temos a chance de viajar por suas ruas de uma forma pouco convencional e conhecer lugares que passam longe dos pontos turísticos, mas que são ainda mais interessantes, porque neles sim moram as descobertas e a costumes de quem vive por ali.

No começo de cada capítulo, o autor nos premia com um lugar relevante para a história que irá se desenrolar e nos situa no contexto dos personagens, o que ajuda muito na imersão dessa proposta. Alguns detalhes são obras da editora, mas esse cuidado visual em integrar o leitor à intenção do autor também faz a diferença.

O amor segundo Buenos Aires |  Fernando Scheller

Em relação aos personagens em si, apesar do que eu falei, alguns aparecem com mais frequência que outros, sendo Hugo aquele que parece unir todas as histórias. Ele dá início ao livro, narrando seu ponto de vista em relação a Leonor, que foi o motivo inicial para que ele saísse do Brasil e fosse até a Argentina, onde passou a morar. As coisas não andavam bem entre eles, mas a ideia que fica desse pontapé inicial é a de que nem todos os amores devem durar, ainda mais por comodismo, se não fazem bem algum para ambos. Em contrapartida, dele podem surgir outras relações incríveis, como a que Hugo criou com a cidade, com Eduardo, Carolina e Daniel.

A amizade de Hugo com Eduardo é uma das relações mais lindas e mais simples que já conheci na literatura, como se os dois tivessem liberdade, num entendimento silencioso, para estar na vida do outro em todos os sentidos e, inconscientemente, saber o que é melhor naquele momento, porque eles se conhecem bem assim. É até engraçado quando Hugo fala que seu pai sente ciúme de Eduardo no momento em que Hugo mais precisa de apoio, durante seu tratamento para o câncer, mas eu não duvido da verdade no seu argumento:

“A conexão entre dois completos estranhos pode ser mais forte do que a compartilhada por duas pessoas que sempre moraram na mesma casa. (...) A ligação entre dois melhores amigos é a mais pura que pode existir.”

O amor segundo Buenos Aires |  Fernando Scheller

Eduardo é homossexual, o que poderia nos levar a pensar que a amizade deles os faria confundir as coisas, mas a relação deles vai muito além desse tipo de paixão. Com quem Eduardo se conecta depois, muito por causa de Hugo, é Daniel, um homem introvertido que trabalha como garçom, mas determinado, com um sonho a alcançar. O capítulo em que Daniel fala de Eduardo é um dos mais bonitos do livro, pronto para desconstruir qualquer tipo de preconceito, especialmente no desfecho da história.

O amor segundo Buenos Aires |  Fernando Scheller

"Quando sinto esse compasso infinito de sentimento, de repente minha vida deixa de ser uma lista de tarefas a serem cumpridas para começar a fazer sentido."

Eu também adorei a Carolina, uma comissária de bordo louca para dar uma reviravolta na sua vida - com uma quedinha pelo Hugo na bagagem. Ela é alguém por quem torcer, tanto que quando ela consegue conhecer alguém especial, que dá o impulso que ela precisava para fazer o que queria, não tem como a gente não ficar feliz. A coragem dos personagens para fazer algumas mudanças drásticas, mas necessárias, são até inspiradoras de alguma forma.

Seu Pedro, pai do Hugo, fica responsável por nos apresentar um tipo de amor mais maduro, que ultrapassa qualquer estigma de idade, sem falar no carinho e respeito que sente pelo filho.

O amor segundo Buenos Aires |  Fernando Scheller

Na contracapa, o autor interage com os leitores, dizendo que se você já amou demais ou se acredita que todo amor vale a pena, então esse livro seria para você. Achei que não me encaixava em nenhum dos dois times, até que li o texto completo do qual esse trechinho faz parte, no prólogo, e antes mesmo de começar a leitura, eu soube que sim, esse livro era para mim. E é, provavelmente, para todas as outras pessoas no mundo, porque...

"A única razão para se desdenhar do amor é a ausência dele."

O amor segundo Buenos Aires |  Fernando Scheller



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Escrito por: Unknown


 
29 de julho de 2016

Tigres em Dia Vermelho

Tigres em dia vermelho, Liza Klaussmann

Intrigante é uma boa palavra para definir essa história. Ela parece complexa de início, pois fica alternando entre passado, presente e futuro e nós nunca sabemos em qual desses cenários de fato ela se passa. Isso não chega a ser um problema, mas até me acostumar foi um pouco confuso. O livro é narrado sob cinco perspectivas, mas sempre girando em torno das primas Nick e Helena.

Tigres em dia vermelho, Liza Klaussmann

O pontapé inicial da história é dado com o fim da segunda guerra mundial, quando as duas primas, que sempre foram muito próximas, vão se separar pela primeira vez. Helena está começando um novo casamento em Hollywood, enquanto Nick vai para a Flórida se juntar ao marido Hughes. As duas cresceram passando seus verões na Tiger House, uma propriedade da família que vai ser o cenário de boa parte do livro.

Com o passar do tempo, as primas percebem que aquele mundo cheio de possibilidades não existe e a vida começa a parecer muito menos do que o esperado. A narração é dividida entre elas, Hughes, o marido de Nick, e Dayse e Ed, os filhos de Nick e Helena, respectivamente. Eu particularmente achei que o ritmo melhora depois da aparição dos filhos das protagonistas, porque é quando a história ganha um maior teor de mistério e intriga.

Tigres em dia vermelho é o tipo de livro que inicialmente parece nos levar a lugar nenhum, a história parece sem propósito. Esse foi o motivo pelo qual eu demorei bastante para conseguir engrenar na leitura e cheguei a pensar em abandonar algumas vezes. No fim das contas, fiquei feliz por ter continuado firme e, apesar de não ser nem de longe um livro favorito, eu acho que vale a pena ler. Querer entender o que se passa na mente de cada um ali e como aquilo vai chegar a um desfecho é o que nos faz virar as páginas. 

Para mim, o ponto alto dessa história é a veracidade que os personagens passam. É quase impossível amar completamente algum deles, bem como odiar. Todos eles possuem fraquezas, alguns mais que outros, mas quase nunca suas ações são completamente injustificadas. Os personagens são a vida desse livro, não somente o enredo. 

Tigres em dia vermelho, Liza Klaussmann



Escrito por: Jennifer Macieira
Arquivado em


 
25 de julho de 2016

Pandemônio

Pandemônio, Lauren Oliver

No segundo volume da trilogia Delírio (contém spoilers do primeiro livro, resenha dele aqui), a narração fica dividida entre o "Antes" e o "Agora" sob a perspectiva da Lena. O Antes trata do início da sua vida na selva, nos mostra como ela conseguiu se instalar lá, se adaptar, além de como lidou com o fato de Alex ter sido deixado para trás. 

Já o Agora diz respeito à nova vida da Lena como parte da Resistência, infiltrada na sociedade e levando a tediosa vida de uma garota “curada”. É aí que ela conhece Julian, o filho do fundador da ASD – America Sem Deliria – e que portanto é a favor da erradicação da doença. Após um acontecimento, eles são forçados a conviver e Julian começa a perceber que talvez acabar com o amor não seja uma ideia tão boa assim. 

Eu tive uma relação de amor e ódio com esse livro. A evolução da Lena é perceptível, ela amadureceu muito depois de tudo o que passou, e podemos notar isso na forma como seus pensamentos são mais firmes e decididos quando o assunto é a Revolução. Ainda bastante ferida pela perda do Alex, ela tenta encontrar um motivo para o qual direcionar suas forças.

Pandemônio, Lauren Oliver

Talvez tenha sido por isso que me frustrou um pouco a presença do Julian. Não o personagem em si, eu até gostei dele, mas sua representação e papel no livro. Sua aproximação com a Lena serviu para trazer à tona os sentimentos dela por Alex, e a partir daí há um contínuo e irritante conflito interno na personagem, que se sente culpada.

Simultaneamente a isso, a resistência toma forma e se faz cada vez mais presente, promovendo a tensão necessária para basear o próximo e último livro. Os acontecimentos do final desse volume são frenéticos e temos uma surpresa atrás da outra, o que contrasta com o ritmo meio lento de mais da metade do livro.

Acredito que esse ritmo se dê pela forma de narrativa abordada, quando ao acabar um capítulo na melhor parte ainda temos que ler um inteiro sob outra perspectiva, em um tempo diferente. Mas a divisão entre o Antes e o Agora tem suas vantagens, como nos mostrar o que levou a Lena a se tornar quem ela é agora.

No mais, Pandemônio foi uma continuação razoável para Delírio e espero não me decepcionar com Réquiem. Recomendo o livro, mas se você é uma pessoa muito apressada e curiosa, sugiro uma dose de autocontrole para não dar espiadas nas últimas páginas desse volume. Acredite em mim: pode arruinar a leitura.

Pandemônio, Lauren Oliver



Escrito por: Jennifer Macieira


 
14 de dezembro de 2015

O presente do meu grande amor

  O presente do meu grande amor stephanie perkins

Natal! Amo essa época e sempre fico com vontade de ler livros que falem sobre, mas nem sempre é fácil achar. Ano retrasado a Lis resenhou “Deixe a Neve Cair” e ano passado eu li “O presente do meu grande amor”, mas não a tempo de resenhar e postar aqui. Então resolvi fazer isso esse ano! O livro tem a Stephanie Perkins como organizadora e uma dos doze autores que fazem parte da obra. São pequenos contos que se passam no natal/ano novo e que fazem qualquer um se empolgar com o espírito natalino.

É óbvio que, com tantas histórias e narrativas diferentes, alguns se destacaram mais que outros para mim, e vou comentar cada um dos doze a seguir.

  O presente do meu grande amor

Meias-noites, por Rainbow Rowell
Eu sempre quis ler algum livro da Rainbow, mas até hoje ainda não aconteceu. Por esse motivo, estava ansiosa pelo conto dela e talvez por isso tenha me decepcionado um pouco. Achei fofo, mas não o suficiente para amar e querer ler novamente. Ele se passa na virada do ano e tem um tamanho ok, nem curto nem longo demais. 3,5/5
Outro livro da autora: Eleanor & Park

A Dama e a Raposa, por Kelly Link
Um dos mais chatinhos. Não conhecia a autora e o conto dela não me deixou empolgada para mudar isso, o que é uma pena. Essa história tem uma pegada sobrenatural e se passa no natal, mas não me conquistou mesmo. Até esse ponto, eu já estava começando a me decepcionar com o livro em geral (sim, sofro por antecipação). 2,5/5

Anjos na Neve, por Matt de la Peña
Um dos melhores! Como disse, estava bem desanimada depois dos dois primeiros contos porque foram bem abaixo das minhas expectativas, mas a história criada pelo Matt é daquelas sutis e que cativam. Prendeu minha atenção e me fez voltar com o ânimo inicial. Se passa em Nova York, no Natal, e é um amor. 5/5

Encontre-me na Estrela do Norte, por Jenny Han
Inferior ao anterior, mas é bem bonitinho e diferente. Não conhecia a escrita da Jenny (xará <3) e gostei, a história meio que se passa no território do Papai Noel e tem duendes (!), o que me fez achar divertido, já que eles são retratados um pouquinho diferente do que diz a fama. Ano passado vi resenhas desanimadas, mas achei fofo e leria de novo sim! 4,5/5

  O presente do meu grande amor

É um milagre de Yule, Charlie Brown, por Stephanie Perkins
Um dos melhores e mais divertidos. Sério! Reler partes desse conto me fez lembrar porque eu gosto tanto da escrita da Stephanie, depois de me decepcionar um pouco com alguns livros dela. Ele tem tudo que é necessário pra uma história ser leve, fofa e agradável de ler. Os personagens são ótimos e o enredo também! Adorei. 5/5

“- Sempre me senti sortudo por morar em um lugar onde a neve é rara, sabe? É a raridade que a torna tão especial.
- Isso poderia ser dito sobre um monte de coisas.”

Outros livros da autora: Anna e o Beijo Francês, Lola e o Garoto da Casa ao Lado e Isla e o Final Feliz

Papai Noel por um dia, por David Levithan
Eis o retorno dos fraquinhos. Nunca tinha lido nada do Levithan e o livro dele que já tentei, Todo Dia, não me empolgou e parei depois de alguns capítulos. Esse conto não me animou a voltar a lê-lo logo, infelizmente. A história em si é agradável de ler e é fofa a ideia, mas achei o conto fraco. Essa é a palavra. 2,5/5

Krampuslauf, por Holly Black
Vou ser sincera e dizer que um dos motivos de eu não ter gostado desse aqui é que entendi quase nada. Eu não sei se por ele ter referências americanas demais ou se o problema fui eu mesmo, mas a questão é que achei tudo muito louco e não me conquistou de jeito nenhum. Infelizmente foi um dos piores para mim, o que é uma pena, porque ainda sou curiosa com a autora. 2/5

Que diabo você fez, Sophie Roth?, por Gayle Forman
Fofinho. Lembro que gostei desse, mas não amei. Foi um dos contos medianos do livro e que não me marcou tanto, por isso confesso que não me lembro muito bem da história, só da impressão que tive dela. 3,5/5

  Christmas natal

Baldes de cerveja e Menino Jesus, por Myra McEntire
Aprovado! Os personagens são bem diferentes entre si, mas ambos têm um senso de humor que se completam. É bem legal de ler e me fez ficar animada para saber mais da autora, que eu não conhecia. 4,5/5

Bem-vindo a Christmas, Califórnia, por Kiersten White
O meu preferido. Fiquei encantada com o conto da Kiersten na mesma proporção em que fiquei frustrada por ele não ser um livro e ter bem mais páginas. Sem dúvida foi o mais amor de todo o livro e eu poderia reler várias e várias vezes! Os personagens são maravilhosos e eu me identifiquei com eles. O melhor de todos (já disse isso?). 5/5

Estrela de Belém, por Ally Carter
Eu já tinha ouvido falar da autora, mas os livros dela não me interessavam muito. Por isso, posso dizer que fui surpreendida pelo seu conto. Gostei bastante! É uma história diferente e com um ritmo legal. Também acho que daria um bom livro. 4/5

A garota que despertou o sonhador, por Laini Taylor
Os últimos contos do livro estavam indo super bem, como dá para perceber pela minha animação ao falar deles, mas o último em si foi uma decepção. Foi o pior de todos! Me sinto até meio mal de determinar isso, mas realmente foi o que achei. A história é sem pé nem cabeça e se arrasta muito, especialmente quando se vem de outras que foram lidas tão rápido e com tanta vontade. Uma pena que tenha encerrado o livro assim. Conheço a escrita da Laini e até gosto do livro dela, Feita de Fumaça e Osso, mas não é das minhas autoras preferidas. 1/5

Em resumo, O presente do meu grande amor é um livro fofo e ótimo para passar o tempo entre uma coisa e outra. Vale a pena comprar especialmente pelos contos que destaquei, mas lembrando que tem sim uns fracos que podem dar uma caída no ritmo. Acho que minha coletânea de Natal favorita ainda é Deixe a Neve Cair, mas mesmo assim eu recomendo! ♥

  O presente do meu grande amor e Deixe a neve cair



Escrito por: Jennifer Macieira


 
14 de setembro de 2015

A Última Carta de Amor | Resenha

  A Última Carta de Amor, Jojo Moyes

Apesar de a sinopse não ter chamado muito minha atenção pela mudança de tempo e a perda de memória da protagonista, deveria ter previsto que a Jojo Moyes não me decepcionaria. Fui tocada pelo primeiro livro que li da autora – Como Eu Era Antes de Você – e com A Última Carta de Amor não aconteceu diferente.

  A Última Carta de Amor, Jojo Moyes

Os temas explorados, dessa vez, foram os romances proibidos, o que inclui o adultério. Confesso que essa não é uma situação que me anime para ler, já que não é algo que eu concorde, mas o livro me conquistou de uma forma extremamente inesperada. Somos apresentados a um romance apaixonante que atravessa gerações e se interliga com as relações mais modernas dos dias atuais.

Jennifer Stirling é uma mulher casada nos anos 60 com um homem rico, porém frio, chamado Laurence. Apesar da vida boa que leva, Jenny é constantemente cobrada por Larry para desempenhar um papel de esposa perfeita aos olhos das pessoas e era assim que eles levavam a relação deles. Pelo menos, até Boot aparecer.

  A Última Carta de Amor, Jojo Moyes
"Em algum lugar deste mundo há um homem que a ama, que entende quão preciosa e inteligente e boa você é. Um homem que sempre a amou e que, por mais que tente evitar, desconfia que sempre a amará."

Boot, na verdade, é um apelido que Anthony O’Hare ganhou, ao desenrolar da história, por Jennifer. Um jornalista que, por acaso, vai parar na casa do casal após realizar uma entrevista com Larry e se encontra com Jenny pela primeira vez. 

O romance que se inicia a partir desse encontro flui naturalmente e as cartas ou, até mesmo, bilhetes que os dois vão trocando são, sem dúvida, o ponto alto da leitura. E, mesmo com algumas atitudes irritantes, Jennifer toma outra super corajosas, o que a fez ganhar minha simpatia após um tempo.

  A Última Carta de Amor, Jojo Moyes

Como fiquei meio confusa ao ler a sinopse e iniciar a leitura, vou esclarecer um pouco sobre a relação passado-presente que nos é apresentada. 

Na mesma época em que Jennifer e Anthony se encontram, ela sofre um acidente de carro que a faz perder a memória e isso, obviamente, atrapalha o que eles estavam prestes a viver e deixa a protagonista super confusa. O livro é dividido em três partes e, pelo menos nas duas primeiras, acompanhamos capítulos sobre antes e depois do acidente aleatoriamente.

  A Última Carta de Amor, Jojo Moyes
“Goste dele, se precisar, meu amor, mas não o ame. Por favor, não o ame.
Egoisticamente seu, B.”

Já na terceira, acompanhamos melhor a vida de Ellie, uma mulher que conhecemos anteriormente no prólogo e que também está envolvida com um homem que não deve, mas quatro décadas separam sua história e a de Jennifer. O que liga essas relações, após mais de quarenta anos é, nada mais, nada menos, que uma carta.

É inusitado, emocionante e revelador porque, ah, gente! Onde estão as longas (ou curtas mesmo) cartas de amor escritas à mão de antigamente? Reduzidas às mensagens de texto sem personalidade? Seguimos de perto as histórias dessas duas mulheres e podemos sentir a diferença.

  A Última Carta de Amor, Jojo Moyes
"Ter alguém que nos entenda, que nos deseje, que nos veja como uma versão melhorada de nós mesmos é o presente mais incrível. Mesmo que não estejamos juntos, saber que, para você, eu sou este homem é uma fonte de vida para mim."

Sou fã da escrita da Jojo porque esse livro não chegaria muito longe se a história nos fosse apresentada de forma diferente. Cada detalhe desenvolvido pela autora é cheio de romantismo e nos envolve até a última página. Na verdade, principalmente nas últimas páginas. Em meio a encontros, desencontros e tantos outros obstáculos impostos aos personagens.

  A Última Carta de Amor, Jojo Moyes
  A Última Carta de Amor, Jojo Moyes

     *Crédito das fotos para Jen

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Escrito por: Unknown


 
31 de agosto de 2015

Perdão, Leonard Peacock | Resenha

  Perdão, Leonard Peacock - Matthew Quick

Perdão, Leonard Peacock foi o segundo livro do autor Matthew Quick publicado no Brasil. Com uma premissa bastante diferente do primeiro, O Lado Bom da Vida, Perdão vai falar da saga de um garoto no dia do seu aniversário, mesmo dia em que ele vai levar a arma do avô pra escola e dar um fim à vida do seu ex-melhor amigo e em seguida acabar com a sua própria.

Perdão, Leonard Peacock - Matthew Quick
"Por que as pessoas só gostam quando você faz perguntas que elas já responderam um milhão de vezes e odeiam quando você as surpreende? (...) Será que as pessoas não gostam mais de pensar, ou eu é que sou a aberração?".

Em um primeiro contato, pode parecer uma história bem pesada, mas na realidade não é bem assim. Eu achei que o livro focou bastante na mente de Leonard, mas não apenas em sua parte sombria. No decorrer do livro, nós vamos conhecendo várias faces de sua vida e acontecimentos dela que não justificam, mas pelo menos nos fazem entender o que o levou àquela situação extrema. 

  Perdão, Leonard Peacock - Matthew Quick

Leonard Peacock é um personagem muito interessante. Mesmo com suas ideias desequilibradas, ele é um adolescente com pensamentos muito coerentes com relação ao próximo (em um quadro geral, porque não vamos esquecer que ele ainda quer matar o ex-amigo, não é mesmo?). Ele não entende o mundo como ele é e expõe sua frustração em forma de pensamentos e questionamentos sobre a sociedade.

Eu me vi concordando com muitos deles, e justamente por isso é que ficava tão triste pelo personagem enquanto lia, pelo que ele mesmo estava criando para si.

  Perdão, Leonard Peacock - Matthew Quick
Perdão, Leonard Peacock - Matthew Quick
"Você já pensou em todas as noites que viveu e das quais não consegue se lembrar de nada? (...) Isso não deixa você maluco? Imaginar que sua mente pode ter registrado só as noites erradas?".  

Apenas quatro pessoas possuem sua afeição. Antes do acontecimento principal daquele dia, ele encontra essas pessoas e deixa presentes para elas, como uma espécie de despedida e para que elas tenham algo para se lembrar dele. Uma delas é Herr Silverman, um dos professores de Leonard na escola. Ele é um personagem muito cativante e importante, daqueles que você passa o livro inteiro tentando decifrar e não chega a uma conclusão satisfatória. 

Eu achei isso bem legal, o fato de que mesmo quando ele está no seu limite, ainda existem pessoas com quem se importa e se preocupa, de certa forma. Também mostra o quão importante é ter pessoas queridas por perto, que podem se tornar um suporte e ajudar no momentos ruins.

Eu não sei nem mais o que falar para deixar mais claro o quanto eu adorei e recomendo o livro. Se você ainda não conhece o Matthew, esse é um bom livro dele para começar e não querer parar mais! Eu realmente adoro como ele entrelaça perfeitamente assuntos cotidianos com outros mais sérios, mostrando a interferência que eles podem ter nas nossas vidas.


- 224 páginas | skoob
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*Os quotes do livro que estão nessa resenha foram separados pela Lis durante sua leitura do livro, ela gostou dele tanto quanto eu 

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Escrito por: Jennifer Macieira
Arquivado em


 
20 de julho de 2015

Isla e o Final Feliz | Resenha

Depois da simpática Anna e da extrovertida Lola, Stephanie Perkins nos introduz a timidez de Isla, dando continuidade à sua intenção de gerar identificação por parte dos leitores. É praticamente impossível não se ver na pele de pelo menos uma das meninas ou seus respectivos amores.

Em todos os livros, a autora nos possibilita relacionar várias pessoas de nosso convívio pessoal com as características descritas, já que não idealiza os jovens, pelo contrário, acentua qualidades que, normalmente, são tratadas como defeitos e mostra o lado bom das mesmas. A escrita dela traz uma familiaridade impressionante. No caso do livro da Isla - que, na verdade, se pronuncia Aila -, eu achei que essa sensação se sobressaiu, mas essa opinião é bem pessoal.

Para quem não lembra, ela aparece brevemente em Anna e o Beijo Francês, num momento em que Anna a defende e percebe certo interesse da menina por Josh, mas foi só através desse terceiro livro que podemos conhecer bem sua personalidade, assim como a de Josh, que antes interpretou um papel secundário, apenas como amigo de St. Clair.

Ambos passaram pelo início do ensino médio em Paris sem, praticamente, trocar nenhuma palavra, tanto porque Josh namorava Rashimi, como porque Isla é bastante reservada, mas durante as férias, quando voltaram para Nova York, onde suas famílias moram, a situação muda completamente. 

Isla acaba de extrair os sisos e toma uma dose a mais de coragem analgésicos, o que a deixa um pouco fora de si, a ponto de falar com Josh numa estranha coincidência. O legal é que o momento embaraçoso acabou por ser responsável por dar o empurrãozinho que ambos precisavam.

A partir daí, a relação deles flui naturalmente, de forma casual e, especialmente, descomplicada. Sabem aquela sensação de que tudo está como deveria ser? Não sei por que a maioria dos livros tende a complicar tanto os romances. É verdade que lá para o final desse livro há algumas dificuldades, mas elas são bem normais e aceitáveis, tendo como foco principal a evolução e descoberta da identidade de cada um separadamente, o que me deixou muito satisfeita.

A Isla tem alguns momentos bem egoístas e aleatórios, assim como o Josh também tem seus defeitos, principalmente por seu lado inconsequente, mas isso tudo nos ajuda a identificar o crescimento deles ao longo do livro. Inclusive, alguns elementos dentro dessa temática se mostraram importantíssimos e contribuíram na formação da minha opinião sobre o livro, como a relação da Isla com sua irmã mais nova, Hattie, e com seu amigo Kurt. Ele é autista, visto por ela como alguém dependente, mas se mostra um personagem forte que cresce tanto quanto os protagonistas. 

Além disso, a arte do Josh me chamou bastante atenção. Eu diria que foi o elemento que fez eu me encantar por seu personagem. Seus desenhos eternizam momentos bons e ruins de sua vida e estão presentes o tempo todo na história. Eles também se mostram muito relevantes para seu crescimento pessoal à medida que ele aperfeiçoa sua auto biografia em quadrinhos, apenas aumentando seu charme, que já não era pouco devido ao seu espírito aventureiro! 

O que me lembra algo que esse livro resgatou de Anna e o Beijo Francês: passeios turísticos. Ao invés de fazer diversas marcações em momentos fofos do casal, o que eu marquei foram as páginas que fazem referência à ruas, parques e museus por onde eles passaram. A autora acrescenta, tão sutilmente, esses detalhes que, além de me aproximar mais da história, me deixou com vontade de conhecer aqueles lugares imediatamente! Acontece isso com vocês também? Eu adoro livros assim, fico muito empolgada.

Dito tudo isso, acho que não será surpresa pra ninguém dizer que achei esse um ótimo desfecho. Mais uma história jovem, romântica, cheia de amadurecimento, arte e aventuras turísticas! O encontro de Anna, St. Clair, Lola, Cricket, Isla e Josh, ainda que breve, foi maravilhoso, fechando a coleção da Stephanie com chave de ouro no lugar ideal, onde tudo começou. 


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Escrito por: Unknown


 
15 de julho de 2015

Claros Sinais de Loucura

Claros Sinais de Loucura, Karen Harrington

Em Claros Sinais de Loucura, Sarah Nelson é uma garota no início da adolescência que pouco tem em comum com as outras meninas da sua idade. Ela vive com o pai em uma constante troca de cidade desde o incidente de quando tinha apenas dois anos de idade. Ela sobreviveu a uma tentativa de afogamento que sofreu junto com seu irmão gêmeo, que não teve a mesma sorte, e desde então sua mãe - a agressora - vive em uma instituição psiquiátrica e seu contato com ela é mínimo.

Atualmente, a menina vem tentando lidar com problemas mais urgentes, como o fato de ter que passar mais um verão tedioso na casa dos avós e o trabalho sobre sua árvore genealógica que terá que fazer no início do sétimo ano. Tudo isso além de, é claro, identificar o sinais de loucura que sem dúvida estão em seus genes.

Claros Sinais de Loucura, Karen Harrington

Sarah é muito diferente das pessoas que têm apenas doze anos. Não apenas pelo seu passado familiar; a própria garota desenvolveu hábitos bem peculiares para a sua idade, como ter uma planta de estimação que é sua confidente, além de dois diários: um falso, que deixa em lugares óbvios e com coisas triviais de uma menina de doze anos escritas, e o verdadeiro, onde escreve suas reais e mais íntimas preocupações.

Uma das características da personagem que eu mais gostei e me identifiquei foi a sua obsessão por palavras e seus significados. No decorrer do livro, ela vai nos apresentando suas novas palavras favoritas a medida que as descobre, e é possível aprender o significado de várias delas junto com a Sarah. Mesmo assim, eu não consegui me afeiçoar muito a ela.

Claros Sinais de Loucura, Karen Harrington "Nem todo mundo reage às palavras da mesma maneira. Algumas são palavras-problema. Uma palavra-problema muda a expressão da pessoa que a escuta. Amor pode ser uma palavra-problema para algumas pessoas. Loucura também." Página 10/11.

Claros Sinais de Loucura, Karen Harrington

Para mim, foi meio controverso estar na cabeça da Sarah e ao mesmo tempo acompanhar suas ações que, do meu ponto de vista, eram incoerentes com seus pensamentos. Deixem-me explicar: ela parece muito madura em alguns momentos, mas na maioria das vezes age de uma forma que deixa clara a sua pouca idade.

Claros Sinais de Loucura, Karen Harrington

Eu não me envolvi com a história como achei que fosse, e muito menos com seus personagens. O pai da protagonista é incrivelmente fraco e ausente, quando o que a filha mais precisa é justamente o contrário. Os avós da Sarah não aparecem o suficiente para nos cativar, e os personagens secundários não têm muita profundidade.

Contudo, é interessante acompanhar as impressões da Sarah sobre sua mãe, além de sua busca constante pelos sinais de loucura que ela deduz estar em seu sangue. São muitas perturbações e angústias para uma garota de apenas doze anos lidar, ainda mais sem a ajuda do pai, e por esse motivo eu me vi admirando a protagonista pelo modo relativamente tranquilo com que ela faz isso.

Claros Sinais de Loucura, Karen Harrington

Claros Sinais de Loucura com certeza não foi o que eu esperava, mas também nem de longe foi uma decepção. É um livro interessante e que tem um quote ou outro que com certeza vale a pena marcar e lembrar.

"As pessoas em geral são o que decidem ser, não importa de onde vieram." Página 180.

"(...) Bem, eu diria: sempre que comprar uma blusa nova ou algum creme para ficar bonita, vá e compre um livro na mesma hora. Também é importante embelezar a mente, não acha?" Página 176.



Escrito por: Jennifer Macieira
Arquivado em


 
13 de março de 2015

Extraordinário

Adiei muito essa leitura, até que, sem me programar, o vi na livraria e peguei para ler num impulso. Quando pisquei, lá se foram 80 páginas! E eu não costumo fazer isso, sério, mas foi bom assim. Tive que levar. ♥

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August nasceu com um rosto incomum e já passou por muitas cirurgias ainda na infância, tanto para melhorá-lo esteticamente, quanto para facilitar situações básicas, como comer. Apesar de ser um menino saudável, sua aparência causa estranheza em público e sua mãe o ensinou em casa a vida toda. Pelo menos até agora, porque Auggie parece pronto pra conhecer a escola pela primeira vez e acompanhamos toda sua trajetória no quinto ano.

A autora nos pede para não julgar um menino pela cara, mas não pude evitar tentar imaginar como ele seria. Eu ficava olhando a capa sem entender muito como aquilo seria possível e até que ponto ela foi fiel ao protagonista. Quais eram suas características? Aposto que vocês devem ter se perguntado isso também.

A história em si me passava a impressão de ser muito triste, já que a condição do August implicaria em temas como o bullying, mas esse livro vai além do óbvio e nos dá uma lição bem humorada e envolvente.

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"A única razão de eu não ser comum é que ninguém além de mim me enxerga dessa forma." 

August não explica logo como é seu rosto, mas, como o livro é dividido em várias partes, narradas não só por ele como também por pessoas próximas a ele, conseguimos formar uma imagem, ainda que confusa, de suas particularidades. O interessante é que elas se tornam irrelevantes em comparação à sua personalidade corajosa e divertida ao longo da narração.

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"O mais engraçado é que se ele não tivesse posto a mochila entre nós dois, eu com certeza teria me oferecido para ajudá-lo."

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É claro que não é nada fácil e a forma como ele narra os olhares que recebeu durante toda a sua vida é de partir o coração, mas ele é uma criança consciente de seu estado, sendo, ao mesmo tempo, compreensivo com as pessoas por o tratarem de forma diferente, inclusive seus amigos e familiares.

Parece errado sentir vergonha e não querer associar sua imagem ao Auggie, mas ao ler o ponto de vista das pessoas ao seu redor, não senti nada além de simpatia pela maioria, como sua irmã Via e Jack.

(Minha crítica à essas partes se restringe à revisão do livro, que pecou na parte 5, com a falta de letras maiúsculas e travessões, e na parte 7, ao trocar o nome do namorado da Miranda, ainda na mesma página!)

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"(...) deveríamos ser lembrados pelas coisas que fazemos. Elas importam mais do que tudo. Mais do que aquilo que dizemos ou do que nossa aparência. As coisas que fazemos sobrevivem a nós. São como os monumentos que as pessoas erguem em honra dos heróis depois que eles morrem. Como as pirâmides que os egípcios construíam para homenagear os faraós. Só que, em vez de pedra, são feitas das lembranças que as pessoas têm de você."

Ao acabar a leitura, você vai olhar ao redor e perceber que os preconceitos superados ao longo da narração ainda existem, mas não cabe a você eliminá-los do mundo. Talvez, baste apenas que escolhamos ser gentis. Se possível, mais que o necessário.

"Se forem apenas um pouco mais gentis que o necessário, alguém, em algum lugar, algum dia, poderá reconhecer em vocês, em cada um de vocês, a face de Deus." 

Extraordinário

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Escrito por: Unknown
Arquivado em


 
10 de março de 2015

Resenha: Cidades de Papel - John Green

  Cidades de Papel, John Green

Oi! Hoje quem traz uma resenha do John Green sou eu, já que todas as outras do autor foram escritas pela Lis! Gostei do livro apesar de algumas ressalvas, que vou comentar a seguir :)

Em Cidades de Papel, Quentin Jacobsen é mais um nerd da escola apaixonado por uma garota bonita e popular. A diferença, porém, é que ele e Margo Roth Spiegelman são vizinhos e costumavam brincar juntos na infância, amizade esta que não se prolongou para a adolescência.

Até que um dia ela aparece na janela do seu quarto, vestida de ninja e com o rosto pintado de preto. A garota quer sua participação em um plano de vingança e ele, é claro, aceita. Os dois passam uma noite de aventuras juntos, o que enche o coração de Q de esperança. Porém, no dia seguinte, Margo não aparece na escola. Nem nos dias seguintes àquele. É então que ele começa a encontrar pistas deixadas por ela e parte em uma busca para descobrir seu paradeiro.

  Cidades de Papel, John Green

A narrativa e diálogos do livro são bem característicos do John Green, quem já conhece o autor as identifica logo. Porém, assim como em O Teorema Katherine, há momentos da história em que o ritmo torna-se bem lento, especialmente porque já experimentamos ler sobre uma aventura logo no início, então depois que Margo some e Q fica tentando decifrar suas pistas a leitura fica até mesmo tediosa, voltando ao ritmo inicial apenas na última parte do livro.

  Cidades de Papel, John Green

Isso porque o mistério ao redor dela não foi instigante o suficiente ao ponto de me motivar a ler rápido e descobrir logo, pelo contrário: eu só me irritei mais e mais enquanto conhecia a Margo. Ela é uma personagem que eu definitivamente não gostei e seu egoísmo é extremo. Por ter gostado bastante do Q, me frustrei ao ver quantas vezes ele deixa de lado a própria vida para seguir o que supõe que Margo queria que ele fizesse. Além do mais, ela antes nunca havia dado a ele um pingo da atenção que praticamente exige receber com as tais pistas.

  Cidades de Papel, John Green

  Cidades de Papel, John Green

Dito isto, eu gostei bastante dos demais aspectos do livro. A construção dele foi muito eficiente, ainda que tenha tido aquele problema de ritmo. E a maioria dos personagens é muito interessante, especialmente Ben e Radar, amigos do Q. Eles são responsáveis pelos momentos e diálogos mais divertidos, e participam ativamente do "desfecho" do mistério.

O enredo do livro em si também traz muitas reflexões, como é de praxe nos livros do Green. Considero isso como mais um ponto positivo, ainda que as motivações para tais não tenham me convencido por completo dessa vez. Mas talvez isso varie em cada pessoa.

  Cidades de Papel, John Green
Cidades de Papel, John Green
"Mas não dá para separar uma coisa da outra, não é? As pessoas são o lugar, e o lugar é as pessoas."

No mais, não deixo de recomendar o livro, que é muito bem escrito e com certeza supera O Teorema Katherine, a primeira história que conheci do autor. 

*Demais resenhas de livros do John Green que já foram publicadas no blog: A Culpa é das Estrelas, O Teorema Katherine e Deixe a Neve Cair (todas escritas pela Lis).




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Escrito por: Jennifer Macieira
Arquivado em


 
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