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27 de março de 2018

Me chame pelo seu nome

Me chame pelo seu nome

Em Me chame pelo seu nome, André Aciman conta uma história cercada de realismo, identidade e paixão. A autenticidade do sentimento dos personagens me prendeu logo nas primeiras páginas e contribuiu para que o leitura do livro se tornasse uma experiência incrível.

Elio tem dezessete anos e é filho de um renomado professor universitário, que a cada verão seleciona um intelectual aspirante a escritor para hospedar-se em sua casa. Durante seis semanas, o escolhido vai usufruir de todas as maravilhas de um verão na costa italiana enquanto obtém auxílio para compor sua obra — e é assim que Elio conhece o americano Oliver.

"Você vê a pessoa, mas não a enxerga de verdade, ela simplesmente está por ali. Ou até enxerga, mas nada bate, nada “chama a atenção” e, antes mesmo que você perceba uma presença ou algo incômodo, as seis semanas que lhe foram oferecidas já passaram e a pessoa já foi embora ou está prestes a ir, e você fica lutando para aceitar algo que, sem que você soubesse, vinha ganhando forma bem debaixo do seu nariz, trazendo consigo todos os sintomas daquilo que só pode ser chamado de desejo. Como eu não percebi?"

Me chame pelo seu nome

O romance dos dois está claro desde o início, mas leva um tempo — mais ou menos metade do livro — para se desenvolver. Essa foi a única coisa que me incomodou um pouco, mas os próprios personagens esclarecem essa questão em uma passagem do livro: foi o ritmo deles. O tempo que precisaram. E essa demora apenas serviu para intensificar ainda mais os momentos vividos.

"— Você tem uns pensamentos às vezes... você vai ficar bem.
— Talvez. Mas talvez não. Desperdiçamos tantos dias... tantas semanas.
— Desperdiçamos? Não sei. Talvez só precisássemos de tempo para descobrir se era isso mesmo que queríamos."

Me chame pelo seu nome tem uma característica que me chamou a atenção: a veracidade. Eu sou apaixonada por histórias que parecem reais, que passam o sentimento de realidade, aquela empolgação de pensar "isso poderia ser comigo ou com alguém que conheço". Não pelo cenário, não pela construção do enredo no que diz respeito à ambiente familiar — mas sim pela incrível relação humana entre Elio e Oliver. O livro se passa na costa italiana, mas quando os dois estão juntos é apenas isso: os dois. De nada importam os detalhes.

A narrativa do Elio é inquieta. É inquieta mas também é eficaz — não peca em passar para os leitores os sentimentos de angústia e de dúvidas que permeiam aquele relacionamento. Ele assume para si o que sente, sabe o que deve fazer com aquilo e aí lhe falta a coragem, depois ele a ganha, apenas para perdê-la novamente. Conflitos. É um ciclo de perguntas de mais e respostas de menos, de descobertas, de sentimentos a flor da pele e de muito, muito desejo.

"A forte batida do meu coração quando ele aparecia sem aviso me aterrorizava e me fazia vibrar ao mesmo tempo. Eu tinha medo quando ele aparecia, medo quando não aparecia, medo quando ele olhava para mim, ainda mais medo quando não olhava."

Observar suas oscilações de humor em decorrência de sua situação é um prato cheio para quem ama analisar comportamentos. Ele assume para si mesmo o que sente desde o início, sim — mas isso não o impede de tentar constantemente se enganar. Não o impede de renegar o próprio desejo, de agir em desacordo e fingir que está tudo bem. No fim das contas, ele sempre descobrirá que não está, e isso impulsiona a história.

Me chame pelo seu nome

Já Oliver é um personagem desconcertante, do tipo que nunca sabemos exatamente o que está pensando — nossa visão de sua personalidade está encoberta pelo olhar do Elio, então vamos lhe conhecendo à medida que nosso narrador o faz.

Me chame pelo seu nome é atemporal. Se passa nos anos 80, mas poderia estar acontecendo agora mesmo, em qualquer lugar do mundo. Tem um quê de paixão, de aventura, de uma história que não foi vivida — mesmo que tenha, de certa forma, sido vivida. Eu fiquei angustiada pelas sombras de um "e se" que permeiam toda a narrativa, pelo desencontro, pela não coragem deles em se rebelar e viver o que tinham que viver, pela total compreensão dessa não coragem em viver o que tinham que viver. Não só Elio e Oliver sofrem com os inúmeros sentimentos conflitantes em sua história — nós também.



"O fogo dilacerou minhas vísceras (...) Não era o fogo da paixão nem um fogo devastador, mas algo paralisante, como o fogo de bombas de fragmentação que sugam o oxigênio ao redor e deixam você ofegante como se tivesse levado um chute na boca do estômago e o vácuo tivesse rasgado todo o tecido pulmonar e deixado a boca seca, então você espera que ninguém fale, porque você mesmo não pode falar, e reza para que ninguém peça que você se mova, porque seu coração está entupido e bate tão rápido que cuspiria estilhaços de vidro antes de permitir que qualquer outra coisa fluísse por suas cavidades estreitadas. O fogo do medo, do pânico, mais um minuto e eu vou morrer se ele não bater à minha porta, mas ainda assim prefiro que nunca bata."


As citações ao longo dessa resenha, acredito eu, passam um pouco da sensação que é ler o livro. Destaquei muitas mais, porque simplesmente não pude me controlar. O livro não é fácil, angustia, mas vale a pena. A intensidade vale a pena. Leiam Me chame pelo seu nome.

Me chame pelo seu nome




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leia mais:
+ eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios
+ o amor segundo buenos aires
+ quando finalmente voltará a ser como nunca foi


Escrito por: Jennifer Macieira
Arquivado em


 
23 de março de 2018

Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios

eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios

Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios. Livro que já começa a impactar pelo título, que mais parece uma poesia, uma sina, o avisar de uma tragédia. Uma paixão, uma intensidade. Algo belo e algo triste. Foi exatamente assim que me senti ao virar a última página: impactada.

"Alguns amores levam à ruína. Eu soube disso desde a primeira vez em que Lavínia entrou na minha casa."

eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios

Marçal Aquino traz uma história ambientada do interior do Pará, onde o narrador é o fotógrafo Cauby, que veio de São Paulo para passar um tempo explorando a região. Ele logo encontra Lavínia, uma mulher tão bela quanto misteriosa - uma mulher que vai mudar completamente o rumo da sua vida.

Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios é o tipo de livro que mostra o amor em sua essência. O amor cru e intenso. O amor firme, verdadeiro, mas também imprevisível. Cauby e Lavínia se envolvem de uma forma natural, o desejo que logo vira ternura e logo se transforma em algo maior, algo que definitivamente nenhum deles jamais esperou.

A história é narrada em flashbacks. O Cauby do presente, que ainda sofre as consequências de suas escolhas, nos ambienta em relação à ordem cronológica dos infortúnios que marcaram sua vida e a todo momento solta nuances que nos fazem confabular sobre o que pode de fato ter acontecido. Isso é o que nos mantém presos à história, que algumas vezes perde um pouco do ritmo por estar muito intrincada ao passado. Nossas expectativas estão no presente e queremos logo descobrir os caminhos que o levaram até ali. Ou o caminho: Lavínia. Queremos descobrir o que tem essa mulher, quem ela é, por que ela é capaz de despertar sentimentos tão profundos. Quem é Lavínia?

eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios

Lavínia foi a ruína particular de Cauby - logo vamos compreendendo o quote que afirma isso, ainda no início do livro. Ela convive com seus próprios demônios e praticamente o suga para dentro de seu caos sem ter qualquer intenção disso, sem que possa ao menos perceber. Ela é uma mulher absolutamente incompreensível: recatada, impulsiva, doce, vulgar. Todas em apenas uma. Quantas de nós não somos assim para conseguir sobreviver? Quantas de nós não fugimos um pouco de nós mesmas quando a realidade nos exige demais? Eu acredito que existe um pouco de Lavínia em cada mulher que coloca as mãos nessa história. E em cada uma que não coloca também. 

eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios

A mujeres como yo no las conoces; las contraes.


Essa frase está exposta nas primeiras páginas da obra e resume bem a sua essência. Cauby contraiu Lavínia e agora vive os efeitos colaterais dessa "doença". E tudo bem - se esse é o preço a pagar, ele está plenamente disposto. E é isso o mais incrível de Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios. A entrega.

"Não me canso. Recito em voz alta: Lavínia. É música na minha boca. Minha canção e meu estandarte. Meu poema sujo de sangue. E meu apelo para que volte."

É incrível, é bonito e é triste. Eu amei esse livro de tantas formas que estou caindo em repetição ao tentar falar sobre ele, mas é isto: ele é incrível. A forma como tudo se encaixa e como são colocados os sentimentos finais me fez respirar fundo e ficar meia hora olhando para a parede pensando na intensidade de tudo o que eu tinha acabado de ler. É um livro que faz sentir.

eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios

Por inúmeras vezes me vi na Lavínia. E por mais assustador que isso possa parecer em alguns momentos, é natural. É natural porque ela é uma mulher que foi muito maltratada pela vida e que luta para se manter sã, para se manter limpa e fiel a si mesma. Pareceu familiar? Porque é. E é porque esse é um resumo da vida de muitas mulheres na nossa sociedade. Mulheres que querem desesperadamente se manter sãs enquanto a vida em nada colabora para isso.

Por uma perspectiva, Cauby também pode ter sido a ruína da Lavínia - mas é também a sua salvação. Entendem quão complexa se torna essa relação? E o quanto ela pode nos fazer refletir? Repito: é algo que nos faz sentir.

Quando o título do livro já é uma poesia não dá para esperar menos da sua história.

eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios

"Nunca prometemos nada um ao outro, e eu sabia que podia acabar de repente. Poema que cessa antes de virar a página. Um haikai. Na prática, contudo, não me conformava com a ideia. Eu queria mais."






Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios só tem um defeito: o preço é um pouco salgado. Mas eu não hesito em dizer que vale a pena cada centavo, especialmente por ser uma obra nacional. 

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Escrito por: Jennifer Macieira


 
4 de dezembro de 2017

O amor segundo Buenos Aires

O amor segundo Buenos Aires |  Fernando Scheller

Uma leitura sincera, bonita e sutilmente crítica fez a minha felicidade nos últimos dias. Nunca mais tinha falado de livros por aqui, mas a vontade de recomendar o amor segundo buenos aires me trouxe até esse post. Parece que andei pelas ruas de san telmo, vivi os dilemas dos personagens e me apaixonei por eles, tudo de uma só vez. Eles têm personalidades reais e a escrita do autor brasileiro traz uma verdade crua que me agradou bastante. Um dos aspectos que mais me encantou foi a forma com que os personagens conseguem ser fiéis a eles mesmos e ao que acreditam, apesar de suas reservas e inseguranças, algo raro nos dias de hoje, se você parar para analisar, mas que não deveria ser.

O livro aborda questões relativas ao amor, como o título bem sugere, mas vai além do esperado. É fiel a esse sentimento complexo, que pode envolver tantos aspectos das nossas vidas, e abandona a tendência de escrever apenas sobre o amor que se sente por um companheiro ou paixão casual. O autor enxerga o poder do amor que se pode sentir por um amigo, por algum familiar, por alguém completamente aleatório que acabamos de conhecer, por si próprio ou, até mesmo, por um lugar, porque esse sentimento não é escravo do tempo, do sangue, nem de qualquer outra coisa.

O amor segundo Buenos Aires |  Fernando Scheller

Para retratar isso, ele brinca com as perspectivas de todos os envolvidos na história, inclusive da cidade, de modo que a cada capítulo conhecemos alguém mais a fundo, sob o olhar de outra pessoa. Parece algo tão despretensioso, simples até, mas essa percepção faz toda diferença no livro, porque a forma com que uma pessoa percebe outra na vida dela é única, nunca vai ser igual a de mais ninguém, seja pelo nível de convivência, de entendimento ou de identificação entre elas.

Em alguns momentos, era emocionante, bonito mesmo, conhecer versões diferenciadas dos personagens que já conhecíamos superficialmente, porque, vocês sabem, às vezes, nossas melhores versões podem não ser nossas, podem estar nos olhos do melhor amigo, do irmão, dos pais ou do companheiro, de alguém que nos enxerga de uma forma que não conseguimos sozinhos.

O amor segundo Buenos Aires |  Fernando Scheller

O autor nos faz viajar dentro desse conceito e através dessa construção, capítulo a capítulo, refletimos sobre todas as formas de amor, de modo que não temos figurantes ou papéis secundários. Mas se eu precisasse eleger alguma protagonista para essa história, eu diria que esta seria a cidade. Buenos Aires. Ela faz parte da formação ou do rompimento de cada relação exposta no livro, como se influenciasse de alguma forma para o crescimento pessoal de cada personagem, e isso foi algo muito legal de acompanhar. Nós temos a chance de viajar por suas ruas de uma forma pouco convencional e conhecer lugares que passam longe dos pontos turísticos, mas que são ainda mais interessantes, porque neles sim moram as descobertas e a costumes de quem vive por ali.

No começo de cada capítulo, o autor nos premia com um lugar relevante para a história que irá se desenrolar e nos situa no contexto dos personagens, o que ajuda muito na imersão dessa proposta. Alguns detalhes são obras da editora, mas esse cuidado visual em integrar o leitor à intenção do autor também faz a diferença.

O amor segundo Buenos Aires |  Fernando Scheller

Em relação aos personagens em si, apesar do que eu falei, alguns aparecem com mais frequência que outros, sendo Hugo aquele que parece unir todas as histórias. Ele dá início ao livro, narrando seu ponto de vista em relação a Leonor, que foi o motivo inicial para que ele saísse do Brasil e fosse até a Argentina, onde passou a morar. As coisas não andavam bem entre eles, mas a ideia que fica desse pontapé inicial é a de que nem todos os amores devem durar, ainda mais por comodismo, se não fazem bem algum para ambos. Em contrapartida, dele podem surgir outras relações incríveis, como a que Hugo criou com a cidade, com Eduardo, Carolina e Daniel.

A amizade de Hugo com Eduardo é uma das relações mais lindas e mais simples que já conheci na literatura, como se os dois tivessem liberdade, num entendimento silencioso, para estar na vida do outro em todos os sentidos e, inconscientemente, saber o que é melhor naquele momento, porque eles se conhecem bem assim. É até engraçado quando Hugo fala que seu pai sente ciúme de Eduardo no momento em que Hugo mais precisa de apoio, durante seu tratamento para o câncer, mas eu não duvido da verdade no seu argumento:

“A conexão entre dois completos estranhos pode ser mais forte do que a compartilhada por duas pessoas que sempre moraram na mesma casa. (...) A ligação entre dois melhores amigos é a mais pura que pode existir.”

O amor segundo Buenos Aires |  Fernando Scheller

Eduardo é homossexual, o que poderia nos levar a pensar que a amizade deles os faria confundir as coisas, mas a relação deles vai muito além desse tipo de paixão. Com quem Eduardo se conecta depois, muito por causa de Hugo, é Daniel, um homem introvertido que trabalha como garçom, mas determinado, com um sonho a alcançar. O capítulo em que Daniel fala de Eduardo é um dos mais bonitos do livro, pronto para desconstruir qualquer tipo de preconceito, especialmente no desfecho da história.

O amor segundo Buenos Aires |  Fernando Scheller

"Quando sinto esse compasso infinito de sentimento, de repente minha vida deixa de ser uma lista de tarefas a serem cumpridas para começar a fazer sentido."

Eu também adorei a Carolina, uma comissária de bordo louca para dar uma reviravolta na sua vida - com uma quedinha pelo Hugo na bagagem. Ela é alguém por quem torcer, tanto que quando ela consegue conhecer alguém especial, que dá o impulso que ela precisava para fazer o que queria, não tem como a gente não ficar feliz. A coragem dos personagens para fazer algumas mudanças drásticas, mas necessárias, são até inspiradoras de alguma forma.

Seu Pedro, pai do Hugo, fica responsável por nos apresentar um tipo de amor mais maduro, que ultrapassa qualquer estigma de idade, sem falar no carinho e respeito que sente pelo filho.

O amor segundo Buenos Aires |  Fernando Scheller

Na contracapa, o autor interage com os leitores, dizendo que se você já amou demais ou se acredita que todo amor vale a pena, então esse livro seria para você. Achei que não me encaixava em nenhum dos dois times, até que li o texto completo do qual esse trechinho faz parte, no prólogo, e antes mesmo de começar a leitura, eu soube que sim, esse livro era para mim. E é, provavelmente, para todas as outras pessoas no mundo, porque...

"A única razão para se desdenhar do amor é a ausência dele."

O amor segundo Buenos Aires |  Fernando Scheller



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Escrito por: Unknown


 
5 de maio de 2017

Quando finalmente voltará a ser como nunca foi

Quando finalmente voltará a ser como nunca foi

A primeira coisa que me chamou atenção para esse livro foi o título. Eu sempre gostei de títulos longos e levemente estranhos, então somar o título adoravelmente esquisito + capa adoravelmente esquisita + questionamento sobre a loucura habitar do lado de dentro ou de fora, foi o bastante para que eu ficasse interessada em ler Quando finalmente voltará a ser como nunca foi.

A história se passa no norte da Alemanha e é narrada por Joachim, o mais novo dos três filhos do diretor de um hospital psiquiátrico para crianças e jovens. Ele vive com a família em uma casa no terreno do hospital, e por isso convive diariamente com a rotina peculiar de cada paciente - e os gritos deles são sua canção de ninar.

Quando finalmente voltará a ser como nunca foi Quando finalmente voltará a ser como nunca foi

"Cada vez mais tenho a impressão de que o passado é um lugar ainda mais inseguro e instável que o futuro. O que deixei para trás não deveria ser algo seguro, concluído, que já fora e só esperava para ser narrado, e o que tenho pela frente não deve ser o chamado futuro a ser moldado?
E se eu tiver de moldar meu futuro?"

A narrativa desse livro é bem diferente - os acontecimentos não se apresentam em uma cronologia contínua, e é tudo basicamente sobre a rotina do Joachim com a sua família, todos inseridos naquele dia a dia nada normal do hospital psiquiátrico. Acho que foi por conta desse detalhe que minha leitura não foi rápida, mas isso nem sempre significa algo negativo. Na minha opinião, esse não é mesmo um livro para se ler rápido, e a mensagem deixada ao final da história, para mim, só confirmou isso.

É através dessa rotina que conseguimos obter algumas respostas para a pergunta presente na capa.

Quando finalmente voltará a ser como nunca foi

Muitas vezes durante a leitura eu ficava apenas me perguntando aonde tudo aquilo iria me levar. Os personagens não são exatamente simpáticos nem possuem uma personalidade cativante, mas mesmo assim eu gostei do Joachim - talvez por estar inserida na mente dele e ter acesso a todos os seus pensamentos. Fato é que, mesmo que não pareça, a história chega em algum lugar. Talvez não aquele que a gente espera, mas chega. Como eu disse, consegui sentir que uma mensagem nos é passada no final de tudo e isso faz valer a leitura.

Essa questão sobre a loucura habitar do lado de fora, no ambiente em que estamos, ou surgir de dentro de nós, realmente é abordada nas formas mais sutis ao longo do livro. O próprio Joachim é a representação dessa pergunta - suas atitudes nos remetem sempre a ela.

Quando finalmente voltará a ser como nunca foi
Ainda que eu não tenha me sentido envolvida por nenhum dos personagens, eles são o ponto alto da história. Isso porque a personalidade peculiar de cada um ajuda a construir a premissa de uma forma coerente. A forma como, ao longo do livro, o autor apresenta os pais do Joachim é extremamente interessante - a mãe, a representação da prática; o pai, da teoria. Acompanhar a convivência dos dois é perceber como não existe a melhor forma de lidar com todas as situações - em todas elas, haverá prós e contras. De nada adianta sabermos tudo sobre teorias e nada sobre a prática, e vice-versa. O livro aborda essa questão de um jeito muito sutil e eficaz.

Visualmente falando, ele é muito bonito. Os capítulos são todos iniciados com uma frase - faça ela sentido ou não. Eu gosto de livros com essa característica, por acreditar que estimula a nossa imaginação e faz com que a curiosidade de ler as páginas relacionadas àquele título só aumente. Também existem pequenos detalhes no trabalho gráfico que remetem à atmosfera do enredo e considero isso algo muito positivo - afinal, uma história não necessariamente é contada apenas com palavras.

Quando finalmente voltará a ser como nunca foi
"Sentia saudades da imoderação, do espetáculo, da normalidade, para mim evidente, desse lugar de loucura.
Sentia saudades da... - como posso nomeá-la - sim, da clareza daquelas pessoas. Uma clareza em que tantos pacientes haviam sido encarcerados pelo destino.
E, acima de tudo, sentia saudades daqueles milhares de gritos dos doentes durante a noite, que me faziam dormir tão bem."




*exemplar enviado como cortesia pela editora, mas nossas opiniões são sempre sinceras.
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Escrito por: Jennifer Macieira
Arquivado em


 
1 de dezembro de 2016

Os Segredos de Colin Bridgerton

Os Segredos de Colin Bridgerton (Julia Quinn)

No quarto volume da série Os Bridgertons, Colin e Penelope Featherington se reencontram após ele ter passado um tempo viajando. Conhecidos desde quando eram muito novos, nunca houve qualquer indício de que a amizade poderia se tornar algo mais e Penelope já tinha se acostumado a essa ideia, especialmente depois da situação delicada pela qual passou anos antes, retratada em Um Perfeito Cavalheiro.

Porém, nesse retorno de Colin, eles se aproximam e convivem mais do que jamais havia acontecido antes. E é durante esse súbito convívio que ele começa a enxergar que Penelope não se transformou em uma solteirona (preciso pontuar o quanto detesto esse termo) por falta de graça ou atributos, mas sim devido a anos sendo reprimida pela sociedade. Ele percebe que ela tem muito mais a oferecer.

Os Segredos de Colin Bridgerton (Julia Quinn)Os Segredos de Colin Bridgerton (Julia Quinn)

Eu estava tremendamente ansiosa para ler o livro referente ao meu Bridgerton favorito: Colin. Gosto muito do seu jeito divertido e ousado, sendo muitas vezes o responsável pelos momentos mais engraçados dos volumes anteriores (e posteriores também). Porém, o que eu não considerei foi que poderia encontrar e conhecer um outro lado dele. E foi justamente o que aconteceu.

Os Segredos de Colin Bridgerton (Julia Quinn)

Por focar em sua história, nós conhecemos mais sobre os seus anseios, sobre como se sente em sua posição na família. Todos os seus medos são expostos e vemos uma dose de melancolia nunca antes observada nele - o que não é necessariamente ruim, mas me pegou de surpresa por estar tão acostumada àquele Colin sempre tão de bem com a vida.

É claro que esse fato não se prolonga por todo o livro - temos muitos momentos do Colin de sempre e esses valem por todo o resto. Penelope também pode nos surpreender bastante nesse livro - longe de ser aquela garota apagada e oprimida pela mãe, ela conseguiu ganhar minha simpatia. Os demais Bridgertons continuam presentes, uns com mais destaque que outros. Daphne e Eloise são exemplos - aliás, nos aproximamos consideravelmente da segunda.

Os Segredos de Colin Bridgerton (Julia Quinn)
Os Segredos de Colin Bridgerton (Julia Quinn)

Nesse volume, outra situação também ganha destaque: a descoberta da identidade de Lady Whistledown. Finalmente podemos saber quem está por trás das polêmicas colunas que sempre foram um dos pontos altos dos primeiros livros.

O único fator que realmente me incomodou, porém, foi a revisão. Erros bobos que seriam facilmente corrigidos com um pouco mais de atenção acabaram por me chatear bastante num determinado momento, tamanha sua frequência. Tentei relevar para não estragar a leitura, mas espero que tenham verificado e corrigido nas tiragens seguintes.

Os Segredos de Colin Bridgerton (Julia Quinn)

Apesar de trazer mais uma história de romance histórico fantástica, Os Segredos de Colin Bridgerton não se tornou o meu favorito da série, como eu esperava, mas com certeza mantém a alta qualidade. Fora isso, só tenho a dizer que: quem curte esse gênero de jeito nenhum pode deixar de ler Os Bridgertons. ♡

Os Segredos de Colin Bridgerton (Julia Quinn)



Escrito por: Jennifer Macieira


 
29 de julho de 2016

Tigres em Dia Vermelho

Tigres em dia vermelho, Liza Klaussmann

Intrigante é uma boa palavra para definir essa história. Ela parece complexa de início, pois fica alternando entre passado, presente e futuro e nós nunca sabemos em qual desses cenários de fato ela se passa. Isso não chega a ser um problema, mas até me acostumar foi um pouco confuso. O livro é narrado sob cinco perspectivas, mas sempre girando em torno das primas Nick e Helena.

Tigres em dia vermelho, Liza Klaussmann

O pontapé inicial da história é dado com o fim da segunda guerra mundial, quando as duas primas, que sempre foram muito próximas, vão se separar pela primeira vez. Helena está começando um novo casamento em Hollywood, enquanto Nick vai para a Flórida se juntar ao marido Hughes. As duas cresceram passando seus verões na Tiger House, uma propriedade da família que vai ser o cenário de boa parte do livro.

Com o passar do tempo, as primas percebem que aquele mundo cheio de possibilidades não existe e a vida começa a parecer muito menos do que o esperado. A narração é dividida entre elas, Hughes, o marido de Nick, e Dayse e Ed, os filhos de Nick e Helena, respectivamente. Eu particularmente achei que o ritmo melhora depois da aparição dos filhos das protagonistas, porque é quando a história ganha um maior teor de mistério e intriga.

Tigres em dia vermelho é o tipo de livro que inicialmente parece nos levar a lugar nenhum, a história parece sem propósito. Esse foi o motivo pelo qual eu demorei bastante para conseguir engrenar na leitura e cheguei a pensar em abandonar algumas vezes. No fim das contas, fiquei feliz por ter continuado firme e, apesar de não ser nem de longe um livro favorito, eu acho que vale a pena ler. Querer entender o que se passa na mente de cada um ali e como aquilo vai chegar a um desfecho é o que nos faz virar as páginas. 

Para mim, o ponto alto dessa história é a veracidade que os personagens passam. É quase impossível amar completamente algum deles, bem como odiar. Todos eles possuem fraquezas, alguns mais que outros, mas quase nunca suas ações são completamente injustificadas. Os personagens são a vida desse livro, não somente o enredo. 

Tigres em dia vermelho, Liza Klaussmann



Escrito por: Jennifer Macieira
Arquivado em


 
26 de julho de 2016

Escolhas de Formatura (Sociedade Secreta) | Resenha

  • Esse post poderá conter spoilers dos livros que antecederam esse último volume: 
     Sob a Rosa
  Sociedade Secreta #4 - Escolhas de Formatura, Diana Peterfreund

Ao terminar de ler Escolhas de Formatura, fiquei completamente desolada. Mal tinha acabado de virar a última página e já estava querendo mais confissões da Amy! Apesar disso, fiquei muito satisfeita com o desfecho dado pela autora para uma série que, sem dúvida, se tornou uma das minhas favoritas. 

  Sociedade Secreta #4 - Escolhas de Formatura, Diana Peterfreund

Amy e seus amigos da C177 estão para se formar e, como o próprio título sugere, muitas escolhas precisam ser feitas. Isso se relaciona às suas futuras profissões, claro, mas também aos seus relacionamentos e, até mesmo, às pessoas que os substituirão na Rosa e Túmulo depois que eles a deixarem.

Enquanto alguns já estão certos do que querem fazer, Amy está mais confusa do que nunca. Ela não sabe ao certo quem irá escolher para substituí-la na sociedade e reunir opções dignas está acabando com seu tempo livre para concluir sua monografia até o fim do curso.

  Sociedade Secreta #4 - Escolhas de Formatura, Diana Peterfreund 

Além disso, para quem não leu/lembra, ela ganhou uma distração nas últimas férias de primavera! Apesar de um desentendimento ou outro ou talvez vários deles, seu romance com Jamie se fortalece sutilmente ao longo do livro.

Tenho momentos de amor e ódio com seu personagem, mas ele se tornou um dos meus preferidos na série. Bem que a autora podia ter mostrado seu lado charmoso antes, não é mesmo? 

  Sociedade Secreta #4 - Escolhas de Formatura, Diana Peterfreund
Sim, a Amy continua firme e forte com suas confissões e listinhas maravilhosas. 

Apesar de Jamie ter se tornado meu novo queridinho, não deixei de gostar de George nesse último volume. Ele continua divertido, só que mais maduro, e isso, obviamente, somente melhora seu personagem. (Só para constar, já que estou falando dos meninos: Brandon continua um chato, sim.)

Amy também continua divertidíssima nesse desfecho. São poucos os livros em que a protagonista consegue me cativar, então, acho que é dela que eu mais vou sentir falta! Para vocês que não aguentam mais personagens sem personalidade, garotas que se subestimam e fazem absolutamente tudo errado, eu não poderia recomendar série melhor.

  Sociedade Secreta #4 - Escolhas de Formatura, Diana Peterfreund

Os outros personagens secundários ainda estão lá, desempenhando papéis importantes ao longo da narrativa. Só senti falta de uma participação mais ativa de alguns deles, como o Malcolm, que adorei desde o comecinho.

Mesmo assim, ao iniciar o livro, podem contar com o suspense de sempre, ainda que ele demore a aparecer, e um romance envolvente, ainda que um pouquinho complicado. Só não se esqueçam de se preparar para a despedida. 


Nunca fui boa nisso, e, por meio desta, eu confesso: estou com muita saudade.

  Sociedade Secreta #4 - Escolhas de Formatura, Diana Peterfreund

Faz um tempinho que terminei esse livro e escrevi essa resenha (mais de anos, sim!), apenas não me perguntem porque nunca havia postado. Só sei que fazer isso agora me deu uma baita vontade de reler. Com certeza é uma pretensão para o futuro, de tão boa que é a série. ♡ ♡ ♡ ♡ 

  • Série: Sociedade Secreta #4 
  • Autora: Diana Peterfreund
  • Editora: Galera Record
  • 432 páginasskoob
  • Onde Comprar:   amazon   saraiva   americanas

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Escrito por: Unknown


 
25 de julho de 2016

Pandemônio

Pandemônio, Lauren Oliver

No segundo volume da trilogia Delírio (contém spoilers do primeiro livro, resenha dele aqui), a narração fica dividida entre o "Antes" e o "Agora" sob a perspectiva da Lena. O Antes trata do início da sua vida na selva, nos mostra como ela conseguiu se instalar lá, se adaptar, além de como lidou com o fato de Alex ter sido deixado para trás. 

Já o Agora diz respeito à nova vida da Lena como parte da Resistência, infiltrada na sociedade e levando a tediosa vida de uma garota “curada”. É aí que ela conhece Julian, o filho do fundador da ASD – America Sem Deliria – e que portanto é a favor da erradicação da doença. Após um acontecimento, eles são forçados a conviver e Julian começa a perceber que talvez acabar com o amor não seja uma ideia tão boa assim. 

Eu tive uma relação de amor e ódio com esse livro. A evolução da Lena é perceptível, ela amadureceu muito depois de tudo o que passou, e podemos notar isso na forma como seus pensamentos são mais firmes e decididos quando o assunto é a Revolução. Ainda bastante ferida pela perda do Alex, ela tenta encontrar um motivo para o qual direcionar suas forças.

Pandemônio, Lauren Oliver

Talvez tenha sido por isso que me frustrou um pouco a presença do Julian. Não o personagem em si, eu até gostei dele, mas sua representação e papel no livro. Sua aproximação com a Lena serviu para trazer à tona os sentimentos dela por Alex, e a partir daí há um contínuo e irritante conflito interno na personagem, que se sente culpada.

Simultaneamente a isso, a resistência toma forma e se faz cada vez mais presente, promovendo a tensão necessária para basear o próximo e último livro. Os acontecimentos do final desse volume são frenéticos e temos uma surpresa atrás da outra, o que contrasta com o ritmo meio lento de mais da metade do livro.

Acredito que esse ritmo se dê pela forma de narrativa abordada, quando ao acabar um capítulo na melhor parte ainda temos que ler um inteiro sob outra perspectiva, em um tempo diferente. Mas a divisão entre o Antes e o Agora tem suas vantagens, como nos mostrar o que levou a Lena a se tornar quem ela é agora.

No mais, Pandemônio foi uma continuação razoável para Delírio e espero não me decepcionar com Réquiem. Recomendo o livro, mas se você é uma pessoa muito apressada e curiosa, sugiro uma dose de autocontrole para não dar espiadas nas últimas páginas desse volume. Acredite em mim: pode arruinar a leitura.

Pandemônio, Lauren Oliver



Escrito por: Jennifer Macieira


 
24 de julho de 2016

Aconteceu em Veneza | Resenha

  • Duologia: Evie Dexter #2
  • Essa resenha poderá conter spoilers de Aconteceu em Paris, livro anterior.

  Aconteceu em Veneza, Molly Hopkins

Antes de começar, vamos lá admitir uma coisa um pouco - talvez muito – importante: eu não li o primeiro livro, Aconteceu em Paris, antes desse aqui.

Em minha defesa, ele não parecia tão legal.

Claro que ter a cidade luz como cenário ajuda muito o lado dele, mas não fiquei tão empolgada e começando a ler Aconteceu em Veneza, fiquei muitíssimo feliz com a minha escolha de desconsiderá-lo. Isso porque a primeira metade desse segundo livro é bastante miserável tendo a Evie e o Rob como protagonistas, de verdade.

Ele é extremamente machista, controlador e possessivo: todas as características que mais odeio reunidas em um personagem. Imaginem ler um livro no qual ele é o mocinho! Não, obrigada. 

  Aconteceu em Veneza, Molly Hopkins

Nesse aqui, pelo menos eu sabia que algo melhor estava por vir. A cada capítulo eu me pegava torcendo e lendo mais rápido na esperança da Evie ir logo para Veneza se apaixonar por alguém decente.

Para quem não conhece a sinopse, Evie é uma guia de turismo europeia que conheceu seu namorado, Rob, durante uma excursão a Paris. Tudo parecia bem até que ela foi traída por ele e resolveu perdoá-lo. Isso não parece um início de namoro muito promissor, não é mesmo? Bom, eles resolvem superar isso viajando juntos para Barbados e foi lá mesmo que começou minha antipatia. Quem em sã consciência iria para um lugar desses e não gostaria de explorar a região? Isso mesmo. O Rob.

E a Evie também não é lá uma pessoa determinada, a qualquer insinuação de charme por parte dele, ela se rendia. O que um homem bonito não faz? Era como se o Rob extraísse o pior da personagem. Ela se tornava passiva, fazendo tudo que ele mandava e abrindo mão de sua autonomia e independência. E o pior é que ele fazia parecer que ela estava escolhendo isso quando, na verdade, ele estava se impondo completamente, com a desculpa de que a relação deles viria em primeira lugar.

*revirando os olhos para isso*

  Aconteceu em Veneza, Molly Hopkins

O mais engraçado é que já vi gente que adorou ele em Aconteceu em Paris! Ele deve ter mudado drasticamente de um livro para o outro, é a única explicação que estou enxergando. Talvez justamente para entrar alguém novo na vida da Evie, então, se você o amou em Aconteceu em Paris, esteja preparado(a) para rever seus conceitos.

  Aconteceu em Veneza, Molly Hopkins

O desenrolar da história funciona um pouco lentamente demais para mim. Só conhecemos Veneza por algumas pouquíssimas páginas perto do fim e nem foi algo tão maravilhoso, acabei ficando frustrada. O que me fez ler o livro bem rapidinho foi a linguagem bem leve e divertida - ainda que um pouco fútil - e algumas personagens legais, como a Lulu, melhor amiga e companheira de quarto da Evie.

Eram simplesmente ma-ra-vi-lho-sas as brigas entre a Lulu e o Rob! Ela mata minha vontade de dizer umas verdades. Além disso, existe um enredo em torno dela, que envolve sua ~ tentativa ~ de parar de fumar e seu novo programa de rádio.

Melhor personagem do livro de longe!

  Aconteceu em Veneza, Molly Hopkins

Acho que minha pontuação está mais do que explicada, mas não me arrependi de ler o livro. A Evie passa por muitas cidades incríveis, seja a trabalho ou a passeio, e eu amo viajar, nem que seja um pouquinho junto dos personagens. Uma pena que ela não sabia aproveitar muito bem, viu? Os momentos em que sentia mais antipatia por ela, além dos de futilidade e passividade com o Rob, eram aqueles em que ela não demonstrava entusiasmo algum em lugares novos. A falta de identificação foi enorme.

No geral, Aconteceu em Veneza não é ruim, mas ele consegue me irritar a ponto de passar incrivelmente longe dos meus livros de chick-lit preferidos. Já não basta a vida real gerando sentimento de indignação, né? E infelizmente, não tenho vontade alguma de ler Aconteceu em Paris

  Aconteceu em Veneza, Molly Hopkins
  • Autora: Molly Hopkins
  • Editora Novo Conceito
  • 464 páginas
  • skoob


Escrito por: Unknown


 
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